Existem muitas perguntas recorrentes a muitos pais, neste espaço vou responder algumas delas. Mas lembre-se: este é apenas um guia inicial. Não deixe de agendar sua consulta para acompanhamento adequado do seu filho.

É na infância que tudo acontece, que tudo se define. É nela que você determina que tipo de adulto a criança será, como vai contribuir para o mundo e se relacionar com as pessoas. É preciso cuidar das crianças com competência, para que possam ter a melhor vida possível.

É imprescindível permitir um acompanhamento e um amparo à criança (e principalmente à família) em todas as fases da vida. Preferências, comportamentos, prioridades, alimentação, interesses passam constantemente por mudanças a cada faixa etária. O acompanhamento do crescimento e da saúde da criança permite avaliar e diagnosticar precocemente situações patológicas e orientar/tratar da melhor maneira possível.

O crescimento e o desenvolvimento de uma criança no mundo moderno exige um suporte biopsicossocial adequado. Além do suporte à saúde, ter um pediatra capacitado e de confiança irá auxiliar na construção de um indivíduo preparado para os desafios dos dias atuais.

O crescimento não se limita à altura, peso e desenvolvimento cognitivo. Olha-se para a família como um todo, avaliando a construção de uma pessoa que seja útil para sociedade. Assim, é possível interferir em problemas, prevenir doenças e tratá-las quando necessário. Geralmente, o maior trabalho é orientação: introdução alimentar, como estimular a criança, quais escolas se encaixam mais em seu perfil, qual o melhor esporte para cada criança, etc.

Crianças não devem ser encaradas como adultos em miniatura. O processo de crescimento e desenvolvimento é algo delicado, que passa por muitas fases, cada uma com suas peculiaridades. O acompanhamento regular com o pediatra permite a prevenção de diversos desvios desse crescimento e desenvolvimento normal, além de detectar precocemente possíveis patologias. A maioria das doenças na infância tem sintomas inespecíficos, por isso é necessário um olhar diferenciado para o diagnóstico e tratamento corretos. Além disso, qualquer patologia mais grave nessa fase da vida pode gerar graves consequências, se não tratadas, que o indivíduo levará para o resto da vida.

O não seguimento com o mesmo profissional é um grande erro, pois faz com que se perca o raciocínio sobre o paciente, o que pode levar a tratamentos equivocados ou repetidos. Há a necessidade de a criança ter o seu pediatra, sendo ele uma pessoa de confiança e a referência dos pais quando o paciente apresentar intercorrências.

Acompanhar a criança com um mesmo médico permite criar um vínculo maior entre pais, médico e paciente, facilitando o exame clínico (a criança fica mais calma), o acompanhamento da evolução de uma doença e/ou tratamento e o diagnóstico precoce de doenças graves.

Na maioria das vezes, sim. Se não, é um quadro precoce muito parecido que deve ser tratado do mesmo jeito. Os sintomas da asma podem ser completamente controlados e a criança consegue ter um vida normal.

Não se deve esperar até a adolescência/puberdade para investigar melhor a baixa estatura da criança; este é um erro comum e muito perigoso. Quando a criança começa a se afastar da curva de crescimento, se uma discrepância entre a sua estatura e a dos colegas/parentes da mesma idade chama atenção, deve-se olhar com mais cuidado para esse paciente.

Não, e este é um engano muito comum. O tratamento do excesso de peso não é fácil, tanto para criança quanto para a família, e o acompanhamento com um profissional pode ajudar muito.

Até 12-18 meses de idade, é comum a criança ter refluxo (regurgitações, principalmente após as mamadas), pois o esfíncter esofagiano inferior (parte que separa o estômago do esôfago) ainda é imaturo e mais “frouxo”. Portanto, a qualquer pressão maior na barriga, o conteúdo do estômago pode “voltar”, causando a regurgitação. Não há necessidade de tratamento no caso dos lactentes que não tenham outros sintomas associados e crescem adequadamente.

Porém, quando a doença do refluxo gastroesofágico está presente, significa que há algum prejuízo na saúde da criança – pode haver dificuldade de ganho de peso, irritabilidade, dor, queimação e vômitos, e de sintomas além do trato gastrointestinal mais ocasionalmente, como tosse crônica e otite de repetição. Esta doença deverá ser tratada com modificações nos hábitos alimentares, medidas posturais e medicamentos.

Essas são duas condições bastante diferentes; porém, muitas vezes, as pessoas as confundem.

A alergia à proteína do leite de vaca, como já diz o nome, é uma alergia às proteínas: a caseína, alfa lactoalbumina e beta lactoglobulina. Existem basicamente dois mecanismos de alergia: o primeiro, uma reação mais imediata (IgE mediada), que leva ao surgimento de lesões de pele, inchaço de olhos, orelha, boca, dificuldade para respirar e até mesmo o choque anafilático quando o paciente entra em contato com estas proteínas. Já na outra forma (não IgE mediada), as manifestações ocorrem mais tardiamente e se apresentam basicamente com sintomas gastrointestinais, como diarreia com ou sem sangue, constipação, doença do refluxo gastresofágico, cólica e distensão abdominal. Eventualmente, ambas as formas podem ocorrer simultaneamente. A grande parte das crianças com alergia à proteína do leite de vaca não IgE mediada se cura espontaneamente após o primeiro ano de vida, enquanto nas IgE mediadas isso pode ocorrer um pouco mais tarde (por volta dos cinco anos) ou até mesmo persistir por toda a vida. O acompanhamento médico é essencial para guiar a alimentação e possível reintrodução do leite na dieta.

A intolerância à lactose se refere à diminuição da enzima responsável por digerir o açúcar do leite – a lactose. Assim, quando um paciente intolerante ingere leite, ele sofrerá sintomas gastrointestinais apenas, como flatulência, distensão e dor abdominal, diarreia e vômitos. Entretanto, não terá sintomas sistêmicos (como lesões de pele ou inchaço dos olhos). Nestes casos, a simples retirada da lactose pode resolver. O pediatra pode ajudar a guiar a exclusão ou não destes alimentos conforme os sintomas de cada paciente.

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